Coisas de Periferia

Por: Marcos Gonçalves | 4 maio 2016 | 12:48 pm
A periferia da Periferia?
Foto:Por: Marco A. Gonçalves
  • Extremo da Zona Sul de São Paulo.
  • Jardim Ângela/ Capão Redondo
  • Subprefeitura M´boi Mirim

 

População, 299.833 habitantes, estes dados são do site observatório, mas o que estes dados não trazem, é a realidade vivida por seus moradores. Gostaria de expor aqui minha indignação relacionada ao abandono que presencio em meu cotidiano como Educador Social, são

 

 

 

jovens e adolescentes em rotinas que demonstram a falta da presença efetiva do estado. Trabalhadores, na hora da volta a suas casas, em ônibus que mais se parecem máquinas de lavar, devido ao péssimo estado de conservação das vias, a falta de estruturas sócias culturais para oferecer cursos, cultura e lazer, contribuem para aumentar o sofrimento e a discriminação. Vejo em minha rotina vivida na escola na qual presto meus serviços, todo tipo de carências, e a coisa que mais tem me chamado a atenção, é a “fronteira imaginária” que existe na cabeça deles, na Vila Calu um bairro do Jd Ângela, que está apenas a cerca de dez minutos de minha casa, no Capão Redondo, parece ser outro estado, outro país. Os adolescentes aqui do Capão Redondo meu bairro, mesmo estando “Da Ponte Pra Cá”, ainda contam com ofertas de projetos sociais, casa(s) de culturas, clubes, escolas técnicas e profissionalizantes. Vejo em seus olhos o desejo de conhecer o novo, de novas oportunidades, e ao mesmo tempo, um olhar perdido nas dificuldades encontradas e vividas por cada um no qual consigo ter e obter diálogos. Ser um Educador Social, tem me trazido boas e más experiências, quando percebo que mesmo estando aqui, bem pertinho, parece ser outro país, ser outros tempos, não lembrando em nada este país que vemos nos comerciais de projetos governamentais, onde, existe a preocupação com o social, com a educação, com os jovens. As autoridades educacionais, bem como a secretaria de segurança, parece não ter olhos para aquele local, a violência esponta ali do nada, não vemos rondas ostensivas e nem preventivas, mas me parece que ali o esquecimento é geral. Por fim, a meu ver, não poderia fazer outra comparação a não ser que no Extremo Sul de São Paulo, seria uma senzala moderna dormitório? Então, quando estes milhares de jovens que veem crescendo e assumindo sua posição na sociedade descobrirem que sim, a algo , uma cidade ali, que suas fronteiras não têm muros intransponíveis e que se eles invadirem e tomarem tudo reivindicando direitos a eles antes negados, as autoridades poderão falar  o que? Nossa nova Senzala está muito próxima da casa grande chamada Sociedade Dominadora e isso parece não ter ainda despertado nas mesmas sociedades dominantes o olhar ao risco que estão submetidos em manterem pessoas sob a penumbra da ignorância !

                                                                Por Professor e Jornalista Marco Antônio Gonçalves

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Sobre

Marco A. Gonçalves, Jornalista, Fotógrafo, Educador Social e Professor. Formado em Marketing com Pós-Graduação em estratégias de Marketing, realiza trabalhos dentro das periferias visando a integração do ser humano na sociedade. Tem seus trabalhos publicados em diversas mídias bem como Jornais de grande circulação.

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