Ex-camelô vira referência em Empreendedorismo social no Brasil

Por: Redação | 21 novembro 2016 | 04:19 pm
Em tempos de crise, microempreendedores do Brás se expiram na história de empresário que começou como camelô nas ruas.
Foto:
Elias Tergilene em uma loja de comércio informal

ELIAS TERGILENE ALVES PINTO é um ex-camelô que começou sua vida empresarial vendendo esterco nas ruas. Através do empreendedorismo, tornou-se empresário e sócio de uma multinacional italiana, Grupo Doimo. Hoje é presidente e fundador da Fundação Doimo, fundador da rede de shopping UAI e sócio fundador da Holding Favela em sociedade com a CUFA.

Elias Tergilene começou a vender esterco e leite com 15 anos de idade. Aos 20, já emancipado, iniciou a montagem de móveis fabricando uma cama, utilizando o quintal de sua casa como oficina. Fundou a Metalúrgica Augusta, e com o passar dos anos, consolidou-se como um dos grandes fabricantes de móveis do país.

Tergilene em frente ao shopping UAI, um de seus empreendimentos.

Elias Tergilene em frente ao shopping UAI, um de seus empreendimentos.

Sua grande percepção comercial o levou a tentar o mercado europeu, e em 2001, conheceu o italiano Giuseppe Doimo durante a Feira Internacional de Milão. Em 2008 inaugurou a primeira unidade do Uai Shopping, sob novo modelo de shoppings populares. Em 2013, lançou o projeto Favela Shopping, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.

Após a morte de Giuseppe Doimo, criou a Fundação Doimo, que atua em projetos sociais para o empreendedorismo na base da economia. Hoje, a Rede Uai possui quatro unidades, sendo três em Belo Horizonte e uma em Manaus, além dos projetos de expansão visando sempre promover o chamado empreendedorismo social.

Com essa linda história de vida, Elias despertou a atenção de muitos empreendedores que trabalham nas madrugadas das chamadas FEIRA DA MADRUGADA DO BRÁS. Milhares de trabalhadores dão inicio às 23:59h e trabalham até 06:00h momento que todos os comercio estão fechados, eles atuam em horário diferenciado, justamente para não disputar espaço com grandes empresas, a maioria dos produtos são de fabricação caseira ou em parceria com empresas devidamente registradas. A feira da madrugada gera milhares de empregos. Segundo Rogério Lima, conhecido como Rogério da feira do Brás e também pelo apelido “Minha Joia”, que é Presidente da COOPSBRAS, disse ao jornal GIRO1 que o mercado informal vem crescendo nos últimos meses, muito devido ao desemprego quem vem crescendo nos últimos anos. Rogério da Feira do Brás, acrescenta que Elias Tergilene é uma grande inspiração, não só para ele, mas para todos que trabalham nas ruas do Brás, pois é uma história de vida verdadeira. “Elias é um grande amigo do trabalhador das ruas, sempre motivando pessoas no empreendedorismo social, ele tem uma visão para o povo, para o trabalhador, ele tem todo nosso respeito”. 

Rogério Lima da Feira do Brás ao centro de gravata, com trabalhadores Bolivianos que tem apoio da COOPSBRAS na luta contra o trabalho escravo de estrangeiro.

Rogério Lima da Feira do Brás ao centro de gravata, com trabalhadores Bolivianos que tem apoio da COOPSBRAS na luta contra o trabalho escravo de estrangeiros.

Não é exagero dizer que o empresário Elias Tergilene é o rei do varejo popular. Nascido em Carlos Chagas, no Vale do Mucuri, Elias costuma dizer: “Gosto mesmo é de fazer negócios com a base da pirâmide, porque falo a língua dos mais pobres”. 

E um passo maior acaba de ser dado: o Grupo UAI ganhou a licitação para a gestão da Feira da Madrugada, no Brás, em São Paulo, o maior shopping popular do país.

A vigência do contrato será por 35 anos, com um valor estimado de R$ 1,5 bilhão. O empreendimento será administrado em parceria com outras duas empresas que compõem o Consórcio SP, o Fundo Talismã e a RFM Participações LTDA.

“Estamos ansiosos para colocar em prática as ações de empreendedorismo social e capacitação empresarial para os feirantes”, diz. Tergilene afirma que quer conhecer as necessidades de cada um deles e focar no combate à pirataria.

Para ele, o brasileiro tem sangue de empreendedor. “É só preciso uma injeção na veia de conhecimento e oportunidade”, afirma o empresário, que sonha em construir um shopping popular na Favela do Alemão, no Rio de Janeiro. “O projeto é muito bacana. Pena que a coisa está parada na prefeitura”, diz.

 

Crédito: Jornal GIRO1 São Paulo

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