Capez decreta ponto facultativo na Alesp e pedirá reintegração de posse

Por: Redação | 4 maio 2016 | 07:54 pm
Estudantes ocupam plenário da Assembleia Legislativa desde terça-feira. Presidente da Casa vetou alimentação e adota estratégia de 'saturação'.
Foto: Estadão
EST6255 SÃO PAULO 03/05/2016    CIDADES ESTUDANTES ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA Estudantes ocupam o plenário da Assembéia Legislativa de São Paulo como protesto para a CPI da merena e fechamento das sals de aula  . FOTO JF DIORIO /ESTADÃO

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Fernando Capez (PSDB) decretou nesta quarta-feira (4) ponto facultativo para os funcionários da Casa em razão da ocupação do plenário feita por estudantes na tarde desta terça (3). Os estudantes secundaristas passaram a madrugada na Alesp e afirmam que só sairão depois de aberta uma CPI para investigar a fraude na merenda escolar.

Capez proibiu a entrada de alimentos e disse que é “estratégia de saturação”. A segurança da Assembleia isolou a área, e quem sair não volta, para não ter “troca de estudante”. Capez disse ainda que a imprensa não pode entrar no plenário mais porque “quanto mais palco você der, mais difícil você torna”.

Simultaneamente a essa estratégia, a Alesp vai entrar na Justiça com pedido de reintegração de posse. “Não vai haver violência nem confronto. Não podemos ser autoritários, mas temos que ter autoridade. Vamos isolar até que eles saiam”, disse Capez.

Capez em coletiva de imprensa

Capez em coletiva de imprensa

 

Ele falou em “tomar providências para recuperar espaços da população” porque tem quatro importantes projetos para serem votados como o plano estadual de educação.

Capez fez questão em diferenciar a ocupação dos professores na Alesp ano passado dessa dos estudantes. Ele disse que a dos professores foi “ocupação” porque eles pediram pra passar a noite e saíram no dia seguinte. Dos alunos ele chamou de “invasão”.

O deputado estadual é investigado no esquema de superfaturamento de preços e pagamentos de propina em contratos de várias prefeituras do estado com a Cooperativa Orgânica de Agricultura Familiar (Coaf).

A operação Alba Branca, que investiga o esquema, começou em janeiro, mas até agora a Assembleia não analisou nenhum requerimento sobre o caso. 

Estudantes passam a madrugada desta quarta-feira, 04, no prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na região do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, como protesto para a criação da CPI da Merenda e contra o fechamento de salas de aula (Foto: Mario Ângelo/ Estadão Conteúdo)

Estudantes passam a madrugada desta quarta-feira, 04, no prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na região do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, como protesto para a criação da CPI da Merenda e contra o fechamento de salas de aula (Foto: Mario Ângelo/ Estadão Conteúdo)

Na noite de ontem, o tucano afirmou que pedirá reintegração de posse e que não permitiria a entrada de alimentos. “Nosso objetivo é fazer uma saturação para que eles saiam. Nosso objetivo é que haja a desocupação da Casa”, disse. Os alunos afirmaram que têm comida para mais alguns dias. A água do banheiro não foi cortada, segundo o tucano.

Cerca de 70 alunos entraram no fim da tarde desta terça-feira (3) no prédio, que fica na região do Parque do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo. Alguns deles subiram na mesa diretora e estenderam faixas pedindo a CPI.

A madrugada e início da manhã desta quarta foi tranquila. Os jovens montaram um esquema para impedir a entrada da polícia com cadeiras nas portas. No começo da madrugada o cantor Chico César entrou no plenário e cantou para os estudantes. Eles também escreveram uma carta aberta em que criticam a situação do ensino no estado.

Crédito: Paula Paiva Paulo - Do G1 São Paulo

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